Cães de Rua: Ataques Assustam População do DF e Revelam Distorções na Responsabilidade pela Gestão do Problema
- Didi Rodrigues

- 7 de jan. de 2025
- 2 min de leitura

Os ataques de cães de rua têm gerado preocupação crescente no Distrito Federal, com relatos de episódios graves envolvendo tanto adultos quanto crianças. Recentemente, um menino de 7 anos ficou gravemente ferido após ser atacado por três cães no Riacho Fundo I, enquanto moradores da Asa Norte, Sobradinho e Núcleo Bandeirante enfrentam medo constante devido a ataques de cães de grande porte. Esses incidentes destacam uma problemática recorrente: a confusão sobre as responsabilidades legais para lidar com os animais em situação de rua.
Os Casos
No Riacho Fundo I, o ataque ao menino desencadeou uma mobilização judicial. Apesar da gravidade da situação, as ações de recolhimento dos animais ficaram marcadas por divergências entre os órgãos responsáveis. A Polícia Civil afirmou que o caso era de competência do Centro de Zoonoses do Distrito Federal, que, por sua vez, alegou impedimento legal para intervir, já que o recolhimento de cães de rua só é realizado em casos relacionados à saúde pública, como riscos epidemiológicos.
Na Asa Norte, Sobradinho e Núcleo Bandeirante, a situação não é menos alarmante. Pedestres relatam confrontos com cães de grande porte frequentemente associados a pessoas em situação de rua. Uma moradora da Asa Norte sofreu mordidas graves nas pernas, e a comunidade local busca, sem sucesso, uma solução integrada.
O Papel da Zoonoses
A Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses (GVAZ), vinculada à Secretaria de Saúde do Distrito Federal, tem atribuições restritas no manejo de animais. Suas ações incluem:
Recolhimento de animais somente em casos relacionados a riscos à saúde pública, como a presença de doenças transmissíveis.
Intervenções clínicas e vacinação em situações específicas.
Investigação epidemiológica, como nos casos de raiva ou outras zoonoses de relevância.
Por outro lado, situações que envolvem abandono, maus-tratos ou riscos causados por animais saudáveis não fazem parte das competências regimentais da Zoonoses.
De Quem é a Responsabilidade?
A responsabilidade por animais de rua e a proteção de moradores deveria recair, na verdade, sobre a Secretaria de Estado de Proteção Animal do DF. Esse órgão tem o papel de:
Desenvolver políticas públicas para o manejo e bem-estar de animais em situação de rua.
Promover campanhas de adoção e esterilização.
Articular parcerias para reduzir a população de animais abandonados.
Essa divisão de responsabilidades é frequentemente ignorada, resultando em sobrecarga demanda indevida para a Zoonoses e na perpetuação do problema.
Soluções Necessárias
Para enfrentar a questão, é imprescindível uma abordagem integrada que envolva diversos setores, incluindo:
Reforço das políticas públicas de manejo animal pela Secretaria de Proteção Animal, com ações mais incisivas de captura, castração e adoção.
Educação da população sobre a importância da guarda responsável e do não abandono de animais.
Investimento em parcerias com ONGs e iniciativas privadas para abrigar e tratar animais abandonados.
Apoio social às pessoas em situação de rua, muitas vezes acompanhadas por cães, com soluções que considerem o bem-estar de ambos.
Conclusão
Os ataques de cães de rua são uma consequência visível de uma questão mais ampla: a falta de coordenação entre os órgãos competentes e de políticas efetivas de proteção animal. Até que o problema seja tratado com a devida prioridade, os moradores do Distrito Federal seguirão vulneráveis aos ataques de cães de rua, enquanto esses animais abandonados permanecem expostos ao descaso e à violência.






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