Entre Solidariedade e Política: O "Governo Paralelo" e as Incertezas no Rio Grande do Sul
- Didi Rodrigues

- 18 de mai. de 2024
- 2 min de leitura

Enquanto as águas do Guaíba teimam em carregar os destroços das chuvas e inundar as esperanças do povo gaúcho, uma nova onda política ameaça invadir as margens já devastadas. É o surgimento do chamado "governo paralelo", uma iniciativa federal que, ao invés de aliviar o fardo sobre os ombros dos governantes locais, parece pesar ainda mais sobre a população atingida.
A tragédia que assola o Rio Grande do Sul, infelizmente, não é só a das enchentes que levam casas, sonhos e vidas. É também a tragédia de um governo que, em vez de unir esforços, parece querer dividir ainda mais. Enquanto os brasileiros se unem em solidariedade, o Palácio do Planalto ergue uma estrutura paralela, desconsiderando a autoridade e a capacidade do governo estadual.
As intenções por trás desse movimento são tão turvas quanto as águas revoltas do Guaíba. Seria uma genuína tentativa de socorrer os necessitados, ou apenas um jogo político ardiloso para reforçar o nome do Pimenta no cenário gaúcho? A dúvida paira no ar, assim como o cheiro de lama que impregna as ruas.
O que era para ser um gesto de solidariedade transforma-se em uma peça de xadrez, onde cada movimento é calculado para obter vantagem no tabuleiro político. Enquanto isso, o povo, que já perdeu tanto, agora se vê perdido em meio a esse embate de interesses.

E para tornar esse jogo ainda mais sombrio, o presidente Lula escolhe para liderar esse governo paralelo o mesmo ministro Paulo Pimenta, que, quando estava à frente da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), usou de seus poderes para investigar contas de opositores em redes sociais por supostas notícias falsas e críticas relacionadas às ações de fiscalização de caminhões que levam doações ao Rio Grande do Sul e da atuação do Governo Federal nesse desastre. Dentro dos investigados estão políticos como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador Cleitinho (Republicanos-MG) e influenciadores como Pablo Marçal, dentre outros.
A ideia de um governo paralelo para reconstruir o estado parece mais uma afronta do que uma solução. Deixa-nos questionando: onde está a verdadeira preocupação com o bem-estar da população? Onde está a cooperação entre os entes federativos, tão necessária em momentos como este?
Enquanto o debate político ganha os holofotes, os que sofrem são os que mais precisam de ajuda. Enquanto o jogo de poder se desenrola nos corredores do poder, os que perderam tudo continuam esperando por um sopro de esperança, por uma mão estendida que não esteja manchada pelos interesses políticos.
O Rio Grande do Sul clama por solidariedade, por união, por ações que realmente tragam alívio e perspectiva para aqueles que foram tão duramente golpeados. Que o governo, seja federal ou estadual, compreenda que a verdadeira grandeza está em servir ao povo, não em utilizar sua dor como moeda de troca política.






Comentários