Nova Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito Federal: Fiscalização ao GDF ou Extensão do Palácio do Buriti?
- Didi Rodrigues
- 10 de jan. de 2025
- 2 min de leitura

A nova composição da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), anunciada para o biênio 2025-2026, está sob os holofotes não apenas pela manutenção de lideranças, mas também pelo acréscimo de duas novas cadeiras. A questão que paira no ar é: será que essa nova formação representa um avanço na fiscalização do Governo do Distrito Federal (GDF) em prol dos interesses da população, ou se transformará em um "puxadinho" do Palácio do Buriti para acomodar interesses políticos?
A continuidade do deputado Wellington Luiz (MDB) na presidência e de Ricardo Vale (PT) na vice-presidência, agora denominada 1ª vice-presidência, sinaliza estabilidade no comando da Casa. Paula Belmonte (Cidadania) assume a 2ª vice-presidência, enquanto Robério Negreiros (PSD) ocupa a 4ª secretaria, cargo recentemente criado. Com essa ampliação, a Mesa passa a contar com sete integrantes.
Novos Cargos, Novos Desafios
A inclusão de mais cadeiras na Mesa Diretora levanta expectativas sobre maior diversidade e eficiência nas decisões administrativas e legislativas. Wellington Luiz destacou em declarações recentes a importância do trabalho coletivo para construir soluções que atendam às necessidades da população. Mas a população do DF espera que essa pluralidade resulte em ações concretas e não apenas em discursos.
Ricardo Vale, por sua vez, afirmou que pretende fortalecer a relação da Casa com a sociedade, promovendo transparência e investindo em tecnologia. Essas promessas, no entanto, devem ser acompanhadas de medidas práticas para que o parlamento não seja apenas uma extensão das vontades do Executivo.
Uma Mesa a Serviço de Quem?
A proximidade histórica entre o Executivo e Legislativo local sempre levantou dúvidas sobre a autonomia da CLDF em relação ao GDF. Com Hermeto (MDB) assumindo a liderança do governo na Câmara e o alinhamento político de boa parte dos membros da Mesa Diretora, surgem temores de que a fiscalização possa ser enfraquecida.
Por outro lado, a criação de comissões como a de Saúde e a de Direitos das Mulheres pode indicar maior atenção a demandas sociais. Dayse Amarílio (PSB), presidente da nova Comissão de Saúde, afirmou que a separação das pautas de educação e saúde permitirá maior foco em cada área. Contudo, o verdadeiro impacto dessas iniciativas dependerá do comprometimento dos parlamentares em priorizar os interesses da população em detrimento de pressões políticas.
Fiscalização ou Subserviência?
Historicamente, a CLDF enfrentou críticas por atuações consideradas insuficientes na fiscalização do Executivo. A liderança atual promete avanços, mas o alinhamento com o governador e a distribuição de cargos estratégicos a aliados podem colocar em xeque a capacidade da Mesa Diretora de exercer um papel fiscalizador.
A população do Distrito Federal observa com ceticismo, mas também com esperança. Afinal, uma CLDF verdadeiramente independente e comprometida com o bem-estar coletivo é essencial para o equilíbrio democrático e para garantir que as demandas da sociedade sejam atendidas.
Será que a nova Mesa Diretora irá corresponder às expectativas e reforçar o papel fiscalizador do Legislativo, ou ficará marcada pela subserviência ao Palácio do Buriti? O tempo e as ações dirão.




