A Busca do Bezerro de Ouro pelos Idolatras da Direita Brasileira
- Didi Rodrigues

- 10 de set. de 2024
- 3 min de leitura

Em uma repetição histórica que parece cada vez mais evidente, vemos parte da direita brasileira engajada em uma idolatria política que se assemelha à antiga saga do povo de Israel na jornada pela Terra Prometida. Se, naquele tempo, a adoração ao bezerro de ouro serviu para preencher o vazio de liderança durante a ausência de Moisés, hoje, o cenário parece se repetir, mas com novos protagonistas e ídolos — políticos que são defendidos de forma cega, sem qualquer análise crítica de suas ações, acertos ou erros.
A direita brasileira vive um dilema hedonista, uma busca incessante pelo prazer imediato, seja no campo ideológico, seja no embate diário contra a oposição. Essa busca por figuras fortes e salvadoras, muitas vezes, se sobrepõe à necessidade de ponderação e análise crítica. Ídolos modernos surgem não apenas na forma de imagens de escultura, mas também em influenciadores, artistas e políticos. E é aí que mora o perigo: uma direita que, para se manter firme em sua cruzada contra a esquerda, muitas vezes ignora ou até fantasia o histórico de seus líderes.
Após anos de governo da esquerda, parte dos eleitores de direita se agarraram à figura de Jair Messias Bolsonaro como o líder inquestionável, o "salvador da pátria". Porém, no desenrolar de seu governo, Bolsonaro traiu várias de suas pautas conservadoras, optando por proteger seus próprios interesses e os de sua família, como no caso do envolvimento de seu filho em esquemas de rachadinha. Mesmo diante de erros claros, seus seguidores optaram por fechar os olhos, usando o argumento do medo da volta da esquerda ao poder. O pensamento crítico foi substituído por uma idolatria que justificava tudo com o slogan: "Fica calado se não a esquerda volta."
Agora, com Bolsonaro fora do poder, a direita "conservadora" parece ter encontrado um novo bezerro de ouro. A figura da vez é Pablo Marçal, empresário e palestrante, que promete revolucionar a vida dos eleitores com uma nova mentalidade de prosperidade e sucesso. Marçal surgiu nas últimas eleições, se rendendo ao bolsonarismo e tentando já se colocar como o novo “messias” político, prometendo uma mudança profunda. E, mais uma vez, a direita "conservadora" paulista, abaixa-se em reverência, adotando-o como o novo ícone que, supostamente, salvará o país da destruição promovida pela esquerda.
Nesse processo de idolatria e extremismo, propostas aparentemente sólidas e realistas, como as de Marina Helena, do partido NOVO, ou de Bebeto Haddad, da Democracia Cristã, ficam invisíveis. Elas são ofuscadas pela comoção e pelo espetáculo midiático que figuras como Pablo Marçal provocam. Enquanto isso, soluções concretas e planejamentos que poderiam realmente beneficiar a população são deixados de lado, sufocados pelos gritos de “lacração” e promessas vazias.
É importante frisar que não estou dizendo que todas as propostas de Pablo Marçal sejam ruins. O problema é que, ao retirar as camadas de fantasia e promessas exageradas, resta muito pouco de concreto. E o pouco que há, não parece ser genuinamente dele, dada a sua aparente falta de conhecimento sobre os problemas reais e números da cidade de São Paulo — a maior potência econômica do hemisfério sul.
A pergunta que fica é: até quando os eleitores de direita continuarão a se iludir com figuras vazias, que mais parecem se alimentar do culto à personalidade do que de propostas reais? Até quando, em vez de agir com ponderação e análise crítica, a direita seguirá idolatrando figuras que prometem o impossível, enquanto propostas sérias e viáveis ficam sem atenção?
Se continuarmos nesse caminho de idolatria e cegueira política, o resultado será sempre o mesmo: figuras serão exaltadas, promessas serão feitas, e no final, restarão apenas os cacos de uma decepção anunciada, enquanto o progresso e a dignidade da nossa população ficam mais uma vez em segundo plano.








Comentários